Atualizado 15/03/2019

'Não mandei matar meu filho', diz Leandro Boldrini ao depor

Menino morreu em 2014, aos 11 anos, após ingerir superdosagem do medicamento Midazolam

Foto: TJ RS / Divulgação
Foto: TJ RS / Divulgação

Acusado de matar o filho Bernardo Boldrini, então com 11 anos, o médico Leandro Boldrini foi interrogado na tarde desta quarta-feira (13), terceiro dia do julgamento popular do crime no Fórum de Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Ele negou as acusações, afirmando que a criança foi morta pela madrasta, Graciele Ugulini, e pela amiga dela Edelvânia Wirganovicz.

 

    "Eu não mandei matar meu filho", disse o médico. "Extraiam todo o meu sangue, me decapitem, façam o que quiserem fazer comigo, senhores jurados, mas vocês estarão incorrendo em um erro gravíssimo. Espero com todo o respeito e os senhores e senhoras jurados analisem todo o contexto probatório e vocês vão ver: como um pai vai mandar matar o filho? Isso não existe", acrescentou.

 

    Uma das testemunhas que prestou depoimento em defesa do réu e assistia ao júri foi às lágrimas ao ouvir o apelo de Leandro. Ela preferiu não falar à reportagem.

 

    Bernardo foi morto em 2014, aos 11 anos, após ingerir uma superdosagem de Midazolam. O corpo foi encontrado 10 dias depois envolto em um saco plástico em uma cova em Frederico Westphalen.

 

    Além dos três réus, Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, também responde pelo crime. Os demais acusados serão interrogados ao longo do julgamento, que teve início na última segunda-feira (11) em Três Passos.

 

    A expectativa no salão do júri era grande para a chegada de Leandro Boldrini nesta quarta-feira (13). Jurados, comunidade e imprensa já estavam posicionads no aguardo do réu, o primeiro a ser interrogado no julgamento do caso Bernardo, que chega ao terceiro dia.

 

    Por volta das 15h, Boldrini entrou com a cabeça erguida, porém olhando para baixo, e braços cruzados. Quando sentou, a juíza Sucilene Engler Werle informou o réu que ele tinha o direito de ficar em silêncio, mas alertou: "Os jurados poderão interpretar o silêncio como acharem conveniente."

 

    "Faço questão de falar", respondeu Boldrini, aparentando segurança.

 

    O réu responde por homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica, por ter noticiado falsamente o desaparecimento do filho à polícia, conforme o Ministério Público.

 

    Antes de começar a questioná-lo, a juíza fez a leitura da denúncia e do aditamento. Ela perguntou se os fatos narrados na denúncia eram verdadeiros.

 

    "Referente à minha pessoa, eles não são verdadeiros", disse.

 

    Após as primeiras perguntas, ele virou-se em direção aos jurados, a pedido do seu advogado de defesa, posicionando-se de forma lateral à juíza e de costas para seus representantes.

 

    Ao longo de três horas e meia, perante dezenas de pessoas, sem demonstrar alterações de humor, ele negou as acusações, mas reconheceu que era um pai "mais provedor do que um pai presente", e que a relação entre Bernardo e sua mulher Graciele Ugulini era conturbada.

 

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Fonte: G1
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