Atualizado 53 minutos atrás

Governo de Jair Bolsonaro vê igreja católica como potencial opositora

Após relatórios da agência de inteligência, Planalto decide conter encontro internacional que discutirá meio ambiente, indígenas e quilombolas, temas vistos como pautas de esquerda

Na imagem, o Papa Francisco no Brasil  (Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS)
Na imagem, o Papa Francisco no Brasil (Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS)

O governo de Jair Bolsonaro quer conter o que considera um avanço da Igreja Católica na liderança da oposição, no vácuo da derrota e perda de protagonismo dos partidos de esquerda. Na avaliação da equipe do presidente, a Igreja é uma tradicional aliada do PT e está se articulando para influenciar debates antes protagonizados pelo partido no interior do Brasil e nas periferias.

 

    O alerta veio de informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e dos comandos militares. Os informes relatam recentes encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre Amazônia, evento que reunirá em Roma, em outubro, bispos de todos os continentes.

 

    Durante 23 dias, o Vaticano vai discutir a situação da Amazônia e tratar de temas considerados pelo governo brasileiro como uma “agenda da esquerda”: povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas. 

 

    “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí” disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que comanda a contraofensiva.

 

    Com base em documentos que circularam no Planalto, militares do GSI avaliaram que os setores da Igreja aliados a movimentos sociais e partidos de esquerda, integrantes do chamado “clero progressista”, pretenderiam aproveitar o evento em Roma para criticar o governo Bolsonaro e obter impacto internacional. 

 

    “Achamos que isso é interferência em assunto interno do Brasil” disse Heleno.

 

    Escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitora a presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em paróquias e dioceses.

 

    O GSI também obteve informações do Comando Militar da Amazônia, com sede em Manaus, e do Comando Militar do Norte, em Belém. Com base nos relatórios de inteligência, o governo federal vai procurar governadores, prefeitos e até autoridades eclesiásticas que mantêm boas relações com os quartéis, especialmente nas regiões de fronteira, para reforçar sua tentativa de neutralizar o encontro na Itália.

 

    A reportagem apurou que o GSI planeja envolver ainda o Itamaraty, para monitorar discussões no exterior, e o Ministério do Meio Ambiente, para detectar a eventual participação de ONGs e ambientalistas. Com pedido de reserva, outro militar da equipe de Bolsonaro afirmou que o Sínodo é contra “toda” a política do governo para a Amazônia – que prega a defesa da “soberania” da região. 

 

    “O encontro vai servir para recrudescer o discurso ideológico da esquerda” avaliou ele.

 

    O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno Ribeiro, afirmou que há uma “preocupação” do Planalto com as reuniões e os encontros preparatórios do Sínodo sobre a Amazônia, que ocorrem nos Estados.

 

    “Há muito tempo existe influência da Igreja e ONGs na floresta” disse o mais próximo conselheiro do presidente Jair Bolsonaro. — Não vai trazer problema. (O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro) vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia. A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso — acrescentou. 

 

    Tanto o ministro Augusto Heleno quanto o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, hoje na assessoria do GSI e no comando do monitoramento do Sínodo, foram comandantes militares em Manaus. O vice-presidente Hamilton Mourão também atuou na região, à frente da 2.ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira. 

 

    Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

Fonte: ClicRDC
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